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Crianças devem saber abertamente sobre a morte, dizem especialistas

    O excesso de zelo e o desejo de poupar a criança do sofrimento causado pela morte fazem com que a dificuldade de lidar com a perda continuem sendo reproduzida, sucessivamente. Segundo psicólogos e psiquiatras, esconder o fato da criança é a pior atitude que um adulto pode tomar, porque significa negar a morte e ensiná-la a agir da mesma forma.

    "A criança experimenta a perda desde cedo. Quando têm desejos não realizados ela lida com esse sentimento. Tomar atitudes para mostrar que nem tudo acontece de acordo com os nossos desejos e que nem sempre podemos manter o que temos é um jeito de ensinar a criança a lidar e a conviver com a morte", diz o médico Miguel Roberto Jorge, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e chefe do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

    A compreensão que a criança tem do assunto depende da personalidade, do amadurecimento próprio da idade e da ligação mantida com a pessoa que morreu. Por isso, ela mesma se encarregará de colocar parâmetros e de mostrar até onde consegue entender.

    "A criança vai perguntando o que precisa saber. Não é necessário fazer uma explanação filosófica para explicar o que representa a morte", diz a psiquiatra Eva Zoppe, do Departamento de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

    Para que a morte não se torne um tabu dentro de casa, o melhor é explorar as situações do cotidiano para mostrar às crianças que todos estão sujeitos a ela.

    "Quando uma criança da turma adoece seriamente e não pode ir a um passeio, os pais devem trabalhar com isso e explicar ao filho usando a palavra morte, não eufemismos", diz a professora de psicologia clínica da pós-graduação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) e coordenadora do LELU (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto), Maria Helena Pereira Franco.

    Em vez de dizer à criança que alguém morreu, muitos preferem suavizar dizendo que a pessoa "está dormindo" ou "foi viajar". As expressões usadas para não dizer que a pessoa "morreu" podem causar confusão, já que a criança pode acreditar que a situação é reversível e que logo poderá estar novamente com o indivíduo. O melhor é mostrar que os mortos saem do nosso convívio, mas continuam existindo dentro de nós.

    "Para uma criança em idade pré-escolar, que não sabe que a morte é definitiva, deve-se explicar o que ela significa, usando o 3 termo morte", afirma a professora de psicologia da morte do Instituto de Psicologia da USP Maria Júlia Kovacs.

    Fonte: Folha Online

  Depoimentos

"Parabéns pela presteza e eficácia de atitudes."

Quincio Francisco Goulart Neto

 



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