As mudanças na lei Brasileira, os avanços médicos e tecnológicos e a concepção religiosa mais moderna fazem com que o ser humano se disponha,
cada vez mais, a se tornar um doador. Em países do chamado primeiro mundo a consciência de ajudar o próximo após a morte só chegou com exaustivas
e maciças campanhas de esclarecimentos. No Brasil, assim com em outros países em desenvolvimento o assunto parece estar deixando de ser tabu.
Passado o impacto que a lei formulada pela equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso causou, em 1997, o número de doações parece novamente
ter se estabilizado, mais ainda é pequeno, de acordo com órgãos componentes. Menos de 25% da população é doadora. Em países desenvolvidos o
percentual é superior a 35%.
A primeira idéia da lei de 1998 era tomar todo brasileiro doador compulsório. Apenas os que manifestassem, declarado no documento de identidade,
o desejo em não ser doador permaneceriam nessa condição. Quem não tivesse feito essa opção era considerado doador. Uma medida provisória, criada
pouco tempo depois, diz que a família dá a ultima palavra e é imprescindível sua autorização para a doação. Aí mas coisas se complicariam.
Primeiro veio o medo de morrer e ser doador sem vontade. Depois os casos em que o falecido gostaria de doar, mas a família não permite, ou
por desconhecer o desejo do falecido ou pela inaptidão da abordagem no momento da morte. As condições necessárias para a doação de alguns órgãos
(rins, fígado, coração, pulmão, fígado e pâncreas) também são muito especiais. Ë necessário ter sido diagnosticada a morte cerebral - encefálica,
sem que a morte clínica tenha ocorrido. Nessas condições os órgãos vitais são mantidos em funcionamento e em condições ideais para o transplante.
Nessas condições, ou seja, quando o falecido se declara doador, quando sua família autoriza a doação e quando a morte se deu nas condições específicas,
o transplante é feito por uma equipe médica especial. É necessário que a morte encefálica seja declarada por dois médicos, que após a retirada dos órgãos
o corpo deve ser recomposto e só então entregue para a família e/ ou para os responsáveis pelo sepultamento. Portanto, nesses casos o papel da funerária
perante a doação é nulo. Ela só entra no processo após a doação ter ocorrido de fato.
O que muitas empresas tem feito é participar de campanhas de conscientização, em parceira com entidades de saúde (hospitais, bancos de coleta, etc).
Como a funerária é um lugar onde se trata da morte e tem tido um grande papel de desmistificá-la, achamos que é um bom ambiente para a abordagem do assunto,
garantem os especialistas no assunto.